Enviado por: Vanderli do Carmo Rodrigues em 25/01/2019 06:30:00 582 leituras

Animais nossos irmãos Projeto social transforma a vida de animais de aldeias indígenas em SP

Projeto social transforma a vida de animais de aldeias indígenas em SP

Atualmente, o projeto "Animais das Aldeias" atende mais de 230 animais.



“Como para os índios a situação já é complicada e faltam recursos para a própria população, eles priorizam seus alimentos. Os animais então se alimentam com restos de comida ou se viram caçando”, explica ao G1 a fotógrafa, que ao ajudar crianças indígenas percebeu que havia a necessidade fazer algo, também, pelos animais desses locais.

No início, a fotógrafa agia sozinha. Ela comprava mensalmente quatro sacos de 25 quilos de ração. “Foi complicado de início, mas eu precisava ajudar aqueles animais. Então percebi que, para uma ação efetiva, eu tinha que criar algo maior”, conta.

Larissa, que mora em Praia Grande, conta que alguns animais foram disponibilizados para adoção com consentimento dos índios, mas que o intuito do projeto não é tirá-los da aldeia. “Alguns nós doamos com o consentimento dos indígenas, de forma consciente, pela falta de recursos das aldeias para cuidar de todos”, diz.

A fotógrafa lembra que os medicamentos mais usados nas aldeias são para vermifugação, sarna e quimioterápicos. Produtos de higiene também são necessários. “Seria importante se tivéssemos pessoas que ajudassem mensalmente com doações, principalmente rações”, diz.

De acordo com Larissa, os animais que vivem nas aldeias foram abandonados nelas ou resgatados da rua pelos indígenas. “As aldeias viram desova. Muitas pessoas normalmente largam caixas de filhotes e cachorras idosas lá”, lamenta.

No momento, o grupo atende mais de 230 animais nas aldeias Rio Branco, em Itanhaém, Paranapuã, em São Vicente, e Rio Silveira, em Bertioga. Segundo a fotógrafa, a maior dificuldade do projeto é combater o tumor venéreo transmissível – câncer agressivo e degenerativo que atinge cachorros e gatos.

Para tratar a doença, os voluntários submetem os animais a quimioterapia semanalmente. “Em todas as aldeias os cães tem problemas dermatológicos. Quando há a necessidade de atendimento para animais silvestres, nós também ajudamos. Tirando os casos de tratamento quimioterápicos, visitamos as aldeias entre 21 e 28 dias”, explica.

O objetivo é expandir o projeto para todas as aldeias do litoral. Para que as ações sejam executadas, o grupo conta com ajuda de protetores de animais e veterinários voluntários. “Os profissionais tem um coração imenso e fazem um trabalho maravilhoso”, diz.

Além das ações com os animais, o grupo também conscientiza os índios sobre a importância de cuidar corretamente dos animais.

Nas aldeias de Itanhaém e São Vicente, todas as cadelas e gatas foram tratadas e castradas no período de maio a dezembro de 2018 – incluindo vacinação e vermifugação. O próximo passo é realizar essas ações em Bertioga.

“Todos nós fazemos isso por amor. Mudamos as vidas desses animais e proporcionamos para eles qualidade de vida. Podemos, algumas vezes, não conseguir salvar todos, mas aqueles que salvamos já faz a diferença. Não tem nada que pague isso”, conclui.

Fonte: www.anda.jor.br